IIU vs FIV: qual é o tratamento de fertilidade certo para si?

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05 Set 2025
Casal a sorrir e a celebrar um teste de gravidez positivo, transmitindo esperança e alegria após o tratamento de fertilidade.

Uma análise detalhada a dois tratamentos de fertilidade comuns

Se está com dificuldades em engravidar e decidiu explorar os tratamentos de fertilidade, pode ser difícil saber por onde começar. Com tantas opções disponíveis, pode parecer stressante tentar escolher a mais adequada.

Dois dos tratamentos de fertilidade mais comuns são a IIU e a FIV. Mas, afinal, qual é a diferença entre ambos? E como pode saber qual se ajusta melhor ao seu caso?

Neste guia, explicamos tudo o que precisa de saber sobre IIU vs FIV: como funcionam, quais os custos, as taxas de sucesso e para quem cada um deles é mais indicado.

 

O que é a IIU?

IIU significa inseminação intrauterina. É um tipo de tratamento de fertilidade em que os espermatozoides são colocados diretamente no útero, na altura da ovulação, para aumentar as probabilidades de fecundação.

A IIU é um procedimento rápido, simples e praticamente indolor, realizado em clínica e que demora apenas alguns minutos.

Ilustração médica da inseminação intrauterina (IIU), que mostra espermatozoides a serem inseridos no útero através de uma seringa e um cateter.

 

Motivos para recorrer à IIU

Na gravidez natural, os espermatozoides têm de percorrer um caminho desde a vagina, atravessando o colo do útero, até chegarem ao útero e às trompas de Falópio, onde vão encontrar o óvulo.

Este percurso nem sempre é fácil e muitos espermatozoides não chegam ao destino, sobretudo quando estão em número reduzido, têm pouca mobilidade ou dificuldade em nadar na direção correta.

A IIU facilita este processo, ao dar uma “vantagem” aos espermatozoides. Passa à frente a fase da passagem pelo colo do útero e coloca uma amostra concentrada com os melhores espermatozoides diretamente no útero, mais perto das trompas de Falópio.

Assim, aumentam as hipóteses de fecundação, especialmente quando a contagem de espermatozoides é baixa ou existem problemas no muco cervical.

Muitas mulheres solteiras e casais de mulheres recorrem à IIU para engravidar com recurso ao sémen de um dador. É uma opção simples, de baixa intervenção, que se adapta bem aos objetivos deste grupo de pessoas.

Os problemas no muco cervical também podem dificultar a passagem dos espermatozoides através do colo do útero. O muco pode ser demasiado espesso, conter anticorpos anti-espermatozoides ou não existir na quantidade ou momento certos do ciclo. Ao contornar esta barreira, a IIU aumenta as chances de fecundação.

 

Como funciona o tratamento de IIU

  1. O processo de IIU começa com uma consulta em que o médico revê o seu historial clínico e explica as opções de tratamentos. Pode ser-lhe pedido que faça alguns exames, como análises ao sangue, espermograma, ecografia ou avaliação das trompas, para confirmar se a IIU é adequada para si. A IIU só é possível se as trompas estiverem desobstruídas.
  2. Com base nos resultados, o médico cria um plano adaptado à sua situação.
  3. A IIU pode ser feita num ciclo natural ou com medicação. Algumas pessoas não precisam de recurso a nenhum medicamento, já outras recebem hormonas para estimular o crescimento de um ou dois folículos.
  4. Durante o ciclo, será feito um acompanhamento rigoroso. Quando o momento ideal se aproxima (seja com ovulação natural ou com uma injeção para a desencadear), a IIU é agendada para cerca de 36 horas depois.
  5. O tratamento em si é rápido e indolor. Utiliza-se um tubo muito fino para colocar os espermatozoides diretamente no útero.
  6. Duas semanas mais tarde, faz-se o teste de gravidez para verificar se o tratamento teve sucesso.

 

A IIU costuma ser indicada para:

  • Casais com infertilidade sem causa aparente
  • Infertilidade masculina ligeira
  • Problemas de muco cervical
  • Casais de mulheres, mulheres solteiras ou casais heterossexuais que recorrem ao sémen de um dador

Descubra mais sobre o tratamento de IIU na Procriar.

 

O que é a FIV?

FIV significa fertilização in vitro. É um tratamento de fertilidade mais complexo, no qual os óvulos são recolhidos dos ovários, fertilizados com espermatozoides em laboratório e, posteriormente, um ou mais embriões são transferidos para o útero.

Vista microscópica de um óvulo a ser fertilizado em laboratório, no momento em que o espermatozoide é injetado como parte do processo de FIV.

 

Motivos para recorrer à FIV

A FIV costuma ser recomendada quando a gravidez natural ou os tratamentos mais simples, como a IIU, não têm grande probabilidade de resultar. Para que a fertilização aconteça naturalmente, o óvulo precisa de sair do ovário, percorrer a trompa de Falópio e encontrar espermatozoides saudáveis no momento certo.

A FIV oferece uma abordagem mais direta e controlada, indicada quando:

  • existem problemas na ovulação
  • as trompas de Falópio estão danificadas ou obstruídas
  • a quantidade ou qualidade dos espermatozoides é muito baixa
  • os tratamentos prévios (como a IIU) não tiveram sucesso
  • a idade (>35 anos) ou a baixa reserva de ovários limitam o tempo para engravidar
  • existe indicação para testar geneticamente os embriões antes da transferência
  • casais de mulheres querem ser mães juntas (tratamentos ROPA/recíprocos).

Com a FIV, os óvulos são recolhidos e fertilizados em laboratório, o que lhes dá uma melhor hipótese de se desenvolverem em embriões saudáveis.

Este processo permite ultrapassar muitas barreiras naturais do processo de engravidar e é especialmente útil em situações em que há necessidade de testes genéticos, recurso a óvulos ou sémen de um dador, ou após várias tentativas falhadas com outros métodos.

Por exemplo, uma mulher na casa dos 30 e muitos anos, com poucos óvulos e várias IIUs sem sucesso, pode recorrer à FIV para aumentar as suas hipóteses de gravidez, sobretudo quando o tempo é um fator importante.

A FIV também é recomendada quando a qualidade do esperma é um problema. Nestes casos, pode recorrer-se a técnicas como a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides), em que um único espermatozoide é injetado diretamente no óvulo para maximizar as probabilidades de sucesso.

 

Como funciona o tratamento de FIV

Consulta inicial e exames

O processo da FIV começa com uma consulta. O médico revê o seu historial clínico e pode recomendar exames como análises ao sangue, espermograma e ecografia, para avaliar a saúde reprodutiva. Estes resultados ajudam a personalizar o plano de tratamento.

Estimulação ovárica

Para aumentar as probabilidades de sucesso, são prescritos medicamentos hormonais que estimulam os ovários a produzir vários óvulos em vez de apenas um. Este processo dura, normalmente, entre 8 e 14 dias. Durante este período, o desenvolvimento dos folículos é acompanhado através de análises e ecografias, o que permite ajustar a medicação, se necessário.

Recolha dos óvulos

Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é agendado um pequeno procedimento para recolher os óvulos. A recolha é feita sob sedação, guiada por uma ecografia, e dura cerca de 15 a 20 minutos.

Fertilização

No laboratório, os óvulos são colocados em contacto com espermatozoides do parceiro ou de um dador. Dependendo das necessidades do caso, pode ser usada a fertilização clássica ou a técnica de ICSI (injeção de um único espermatozoide em cada óvulo).

Cultura de embriões

Os óvulos fertilizados são colocados num incubador de última geração, o EmbryoScope®, que permite acompanhar o desenvolvimento embrionário em detalhe, com recurso a uma tecnologia de imagem avançada e a inteligência artificial.

Transferência embrionária

Se estiver a realizar um ciclo novo, um ou dois embriões são transferidos para o útero alguns dias após a fertilização. Caso opte por congelar os embriões, a transferência é feita num ciclo posterior.

Teste de gravidez

Cerca de 12 dias após a transferência embrionária, realiza-se o teste de gravidez para confirmar se o tratamento foi bem-sucedido.

 

A FIV costuma ser indicada para:

  • Mulheres com trompas de Falópio danificadas ou obstruídas
  • Infertilidade masculina grave
  • Mulheres com idade avançada ou baixa reserva ovárica
  • Casos em que a IIU não teve sucesso
  • Situações que exigem testes genéticos aos embriões (como o PGT-A)

Descubra mais sobre o tratamento de FIV na Procriar.

IIU vs FIV: principais diferenças

 

Característica IIU FIV
Complexidade Simples, não cirúrgico Mais complexo, inclui recolha de óvulos
Medicação Leve ou inexistente Requer injeções hormonais diárias
Taxas de sucesso Mais baixas por ciclo Mais elevadas por ciclo
Custo Mais baixo Mais elevado
Compromisso de tempo Menos exigente Mais intenso, requer várias visitas à clínica
Congelação de embriões Não aplicável Disponível
Testes genéticos (PGT-A) Não possível Possível

 

Infográfico lado a lado a comparar a fertilização in vitro (FIV) e a inseminação intrauterina (IIU), com ilustrações simples de cada processo.

 

Custos: IIU vs FIV

O custo pode ser um fator importante na hora de decidir entre IIU e FIV.

  • O custo de uma IIU é, em média, mais baixo. Um ciclo custa 950 € (preço de 2025 na Procriar), sem incluir medicação nem análises.
  • O custo de uma FIV é mais elevado, podendo atingir 5100 € por ciclo (preço de 2025 na Procriar). Se incluir congelação de embriões, medicação ou testes genéticos, o valor aumenta.

É importante ter em conta que pode ser necessário realizar vários ciclos de qualquer um dos tratamentos, o que impacta o custo final ao longo do tempo.

Consulte a nossa página de preços para ver o que poderá pagar na Procriar.

 

Taxas de sucesso: IIU vs FIV

As taxas de sucesso variam consoante a idade, o diagnóstico e a clínica, mas de forma geral:

  • A IIU tem taxas de sucesso por ciclo entre 10% e 20%.
  • A FIV apresenta taxas de sucesso mais elevadas, variando entre 30% e 50% por ciclo, sobretudo quando são transferidos embriões de boa qualidade e usados métodos adicionais como o PGT-A.

O seu especialista em fertilidade poderá dar-lhe uma estimativa mais clara com base no seu historial clínico e nos resultados dos exames.

 

Qual é o tratamento mais adequado para si?

A escolha entre a IIU e a FIV depende das suas circunstâncias pessoais, do diagnóstico de fertilidade, da idade e também das suas preferências.

A IIU pode ser indicada se:

  • É mais jovem e não apresenta grandes problemas de fertilidade
  • Pretende começar por uma opção menos invasiva e mais acessível
  • Vai recorrer ao sémen de um dador e tem ovulações regulares

A FIV pode ser a melhor opção se:

  • Tem mais de 35 anos e procura taxas de sucesso mais elevadas
  • As suas trompas de Falópio estão obstruídas ou tem uma baixa reserva ovárica
  • Precisa de realizar testes genéticos aos embriões antes da transferência
  • Já tentou IIU sem resultados positivos

Falar com um especialista em fertilidade é a forma mais segura de definir o plano de tratamento adequado às suas necessidades.

 

Prós e contras de cada tratamento

Vantagens da IIU

  • Mais acessível – A IIU é significativamente mais barata do que a FIV, sendo muitas vezes o primeiro passo para quem procura um tratamento de fertilidade.
  • Menos invasiva – É um procedimento rápido, indolor e sem necessidade de sedação ou recolha de óvulos.
  • Com ou sem medicação – Algumas pessoas recorrem a estimulação hormonal suave para aumentar as hipóteses, enquanto outras podem realizar uma IIU em ciclo natural, sem fármacos.

Limitações da IIU:

  • Taxas de sucesso mais baixas – Em comparação com a FIV, a IIU tem menor probabilidade de sucesso por ciclo, sobretudo em pessoas acima dos 35 anos ou com problemas de fertilidade mais complexos.
  • Pode exigir vários ciclos – Por ter taxas de sucesso mais reduzidas, pode ser necessário repetir várias vezes, o que aumenta o impacto emocional e financeiro.

Vantagens da FIV:

  • Maior taxa de sucesso – A FIV oferece, no geral, a melhor probabilidade de gravidez por ciclo, especialmente para mulheres acima dos 35 anos ou com problemas de fertilidade específicos.
  • Indicada para situações complexas – Ajuda a ultrapassar problemas como trompas obstruídas, baixa reserva ovárica, endometriose ou infertilidade masculina grave.
  • Permite congelar embriões e fazer testes genéticos – A FIV possibilita a criopreservação de embriões, facilitando futuras gravidezes. Também permite realizar testes genéticos (PGT-A), que reduzem o risco de aborto espontâneo e aumentam as hipóteses de uma gravidez saudável.

Limitações da FIV:

  • Mais dispendiosa – A FIV é um dos tratamentos de fertilidade mais caros, sobretudo quando se inclui medicação, testes genéticos e armazenamento de embriões.
  • Mais invasiva e exigente – Envolve injeções hormonais diárias, recolha de óvulos sob sedação e várias visitas à clínica. O processo pode ser física e emocionalmente desgastante, principalmente entre resultados.

Perguntas frequentes

A IIU é mais barata do que a FIV?

Sim. A IIU tem um custo bastante inferior ao da FIV e é, muitas vezes, utilizada como uma primeira abordagem antes de avançar para a FIV.

Qual é a diferença entre a IIU e a FIV?

Na IIU, os espermatozoides são colocados diretamente no útero. Na FIV, os óvulos são fertilizados em laboratório e, depois, um embrião é transferido para o útero.

Quantos ciclos de IIU devo tentar antes de avançar para FIV?

Depende da idade e do diagnóstico de fertilidade. Muitas clínicas e diretrizes internacionais sugerem entre 3 e 6 ciclos de IIU antes de recorrer à FIV.

A FIV tem mais sucesso do que a IIU?

Sim. A FIV apresenta, normalmente, taxas de sucesso mais elevadas, sobretudo em mulheres acima dos 35 anos ou em casos clínicos mais complexos.

O que significa FIV?

FIV significa fertilização in vitro. É um processo em que o óvulo é fertilizado por espermatozoides num ambiente controlado exterior ao corpo.

O que significa IIU?

IIU significa inseminação intrauterina. É um tratamento mais simples que facilita a chegada dos espermatozoides ao óvulo.

Precisa de apoio para decidir entre IIU e FIV?

Entre em contacto com a Procriar ainda hoje e marque uma consulta. Estamos aqui para ajudar a tomar decisões informadas sobre a sua fertilidade.

 

Considerações finais sobre a IIU vs FIV

Não existe uma resposta única quando se trata de escolher entre IIU e FIV. Ambos são tratamentos de fertilidade eficazes, mas com propósitos, vantagens e desafios diferentes. O mais importante é encontrar o caminho que melhor se adapta ao seu corpo, aos seus objetivos e ao seu momento de vida.

Se tem dúvidas sobre qual o tratamento mais adequado para si, fale com um especialista em fertilidade, que lhe poderá dar uma resposta com base no seu diagnóstico.

Na Procriar, oferecemos tanto tratamento de IIU como de FIV, sempre com planos personalizados às suas necessidades. A nossa equipa está disponível para lhe dar respostas claras e acompanhamento em cada etapa do processo.