Mitos comuns sobre a endometriose
A endometriose continua a ser mal compreendida, o que pode atrasar o diagnóstico, gerar frustração e impedir que muitas mulheres recebam a ajuda de que precisam Estes são alguns dos mitos mais comuns e os factos que os desmentem:
“É só uma dor menstrual forte.”
É muito mais do que isso. As cólicas menstruais são comuns, mas a dor da endometriose vai além do normal. Pode começar antes da menstruação, prolongar-se vários dias e, por vezes, surgir mesmo fora desse período. A dor pélvica intensa não é uma parte normal do ciclo menstrual. Explica a Dra. Guimarães:
A dor da endometriose pode afetar todo o ciclo, não apenas o período. É muitas vezes mais profunda, prolongada e incapacitante.
Desde cedo, muitas raparigas ouvem que a dor menstrual “faz parte de ser mulher”. É tão comum, que faz com que muitas mulheres duvidem dos próprios sintomas Mas a verdade é que qualquer dor que interfere com a vida diária não é normal.
Se a dor a impede de trabalhar, estudar, dormir ou realizar tarefas do dia a dia, pode ser sinal de endometriose. A endometriose é uma condição em que tecido semelhante ao do revestimento do útero cresce onde não é suposto, como nos ovários, no intestino ou na parede pélvica. Isto pode causar inflamação, cicatrizes e dor intensa. Diz a Dra. Guimarães:
A dor pélvica intensa não é uma parte normal do ciclo menstrual.
“Só mulheres mais velhas têm endometriose.”
Falso. A endometriose pode afetar adolescentes e mulheres jovens, até mesmo pouco tempo depois da primeira menstruação Muitas vezes é desvalorizada porque os sintomas são vistos como normais nessa idade.
“Se os exames não mostram nada, não é endometriose.”
Nem sempre. A endometriose pode ser difícil de detetar. Muitas vezes, não aparece em ecografias ou análises. A única forma de confirmar é através de uma laparoscopia, uma pequena cirurgia que permite observar diretamente o interior do abdómen. Explica a Dra. Guimarães:
São os sintomas que guiam o diagnóstico. Só porque os exames de imagiologia apresentam resultados normais, não significa que não haja endometriose.
“Mulheres com endometriose não conseguem engravidar.”
Algumas mulheres enfrentam dificuldades, mas muitas conseguem ter gravidezes saudáveis, com ou sem tratamento. Tratar a doença cedo pode ajudar a melhorar as hipóteses de engravidar no futuro.
“Vai precisar sempre de várias cirurgias.”
A cirurgia não é obrigatória nem deve ser repetida constantemente. Em muitos casos, os sintomas podem ser controlados com terapias hormonais ou outros tratamentos não cirúrgicos. Explica a Dra. Guimarães.
Usamos a cirurgia quando faz sentido, mas não é a única ferramenta. Muitas vezes, controlamos os sintomas com medicação que reduz os níveis de estrogénio, travando o crescimento do tecido endometrial.
“Se não tratar, a doença só pode piorar.”
Nem sempre. A progressão da endometriose varia. Algumas mulheres têm muita dor com pouca extensão de tecido, outras têm lesões extensas e quase não sentem sintomas. Se não estiver a afetar a sua qualidade de vida ou a sua fertilidade, pode não ser necessário intervir de imediato.
Em resumo:
Se sente dor, passa dificuldades com o período ou sente que os seus sintomas estão a ser desvalorizados, fale com alguém. Não precisa de enfrentar esta situação sozinha. O primeiro passo é reconhecer que o que está a sentir é real e merece atenção.